Coquetéis com história: o que se bebia em Barcelona em 1909

Em 1909, Barcelona era uma cidade em turbulência. O modernismo adornava suas fachadas. Artistas debatiam nos cafés. E nos bares do Raval, em meio à fumaça e à conversa, eram servidas bebidas que hoje chamaríamos de coquetéis, embora tivessem outros nomes na época.

Barcelona, ​​1909: uma cidade que já sabia misturar

Há um fato que surpreende muitos: Barcelona foi uma das primeiras cidades europeias com uma cultura de coquetéis bem estabelecida. Não foi Paris nem Londres. Foi aqui, nesta cidade portuária aberta para o Atlântico e o Mediterrâneo, onde as influências americanas chegaram mais cedo e criaram raízes mais profundas.

Já em 1903, o restaurante Trocadero anunciava no jornal La Vanguardia a contratação de um barman que viera de Victoria, um bar sofisticado em Nova York, com uma carta de "Bebidas americanas. Coquetéis, ponches, etc. Feitos conforme a receita."No mesmo ano em que a Ordem dos Advogados de Londres abriu as suas portas, foi publicado o seguinte em Barcelona: Manual do Barman, que descrevia em detalhes as "bebidas americanas" que começavam a ocupar os balcões da cidade.

Dois anos depois, em 1911, Ignacio Domenech publicaria aqui. A Arte do Barman ModernoO tratado mais importante sobre coquetéis escrito na Espanha até então. Barcelona não descobriu os coquetéis tardiamente. Ela os documentou quando outros ainda os ignoravam.

"Barcelona é uma das poucas cidades europeias com uma verdadeira tradição de coquetéis."

François Monti — historiador de bebidas e autor especializado em coquetéis

As bebidas que definiram uma era.

Absinto: o espírito dos boêmios

Antes mesmo de existir o London Bar, o absinto já era a bebida do Raval. Santiago Rusiñol, Ramon Casas e outros artistas modernistas catalães — muitos dos quais passaram longos períodos em Paris — bebiam-no em público como uma declaração de intenções. Grandes copos de líquido esverdeado, xarope e uma pedra de gelo. Arte líquida para tempos turbulentos.

Quando o London Bar abriu suas portas em 1909, o absinto ainda era a bebida preferida daqueles que queriam se destacar. E nesse bar, quase todos queriam ser diferentes.

Vermute: o aperitivo que Barcelona tornou seu.

O vermute não nasceu em Barcelona, ​​mas Barcelona o abraçou como nenhuma outra cidade. No início do século XX, a cultura do aperitivo estava profundamente enraizada no bairro do Raval e por toda a cidade. As pessoas bebiam antes das refeições, bebiam para refletir, bebiam simplesmente para estar presentes. O vermute não era apenas uma bebida: era um ritual social.

Ele ainda está lá hoje. E na Ordem dos Advogados de Londres, ele ainda está atrás do balcão.

Os "bebidas americanas": quando o coquetel chegou do outro lado do Atlântico

No início do século XX, pedir um coquetel em Barcelona era como pedir um... bebida americanaA influência dos bares de Nova York e Havana chegou pelos portos, com os viajantes, com os emigrantes que retornavam. Ponches, cobblers, fizzes, toddies. Misturas que evocavam modernidade, progresso, o mundo.

O Manhattan foi o coquetel mais mencionado nas crônicas de Barcelona na década de 20. Uma testemunha da época o descreveu como "a banda de jazz das bebidas alcoólicas"Urbano, sincopado, impossível de ignorar.

Champanhe: o brinde do poder e do boêmio

Em Barcelona, ​​em 1909, o champanhe era um símbolo de status, mas também um símbolo de celebração, independentemente da classe social. Era consumido com igual entusiasmo em grandes banquetes e em bares simples. Os artistas que frequentavam o London Bar e os bares do bairro do Raval misturavam-no sem hesitar com outras bebidas, antecipando o que décadas mais tarde chamaríamos de champanhe. borrifadas o coquetéis de champanhe.

Um século depois, a história continua na taça.

A cena de coquetéis de Barcelona percorreu um longo caminho desde os primeiros "drinques americanos" de 1903. Sobreviveu a guerras, à proibição de bebidas alcoólicas durante o regime de Franco, a mudanças de tendências e crises econômicas. E no London Bar, essa jornada é palpável em cada canto: nas molduras art nouveau, no balcão de madeira, na atmosfera que não mudou porque não precisa.

Hoje servimos coquetéis exclusivos Eles se inspiram nessa tradição sem copiá-la. Cada copo que preparamos carrega consigo mais de cem anos de história deste lugar e desta cidade. Não como nostalgia, mas como uma história.

Venha experimentar hoje à noite!

Carrer Nou de la Rambla 34, El Raval · Barcelona

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